domingo, 29 de julho de 2007

Falando de Nada

Outro dia li um texto sobre a importância do zero na matemática. Muita gente não sabe, mas a ausência da representação de um vazio nesta ciência foi um verdadeiro empecilho para o desenvolvimento da mesma em seus primórdios. Imagine a dificuldade para contar algo sem o zero: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e volta no 1, já que sem o zero não é possível escrever o dez, e inimaginável por assim dizer escrever o vinte, o trinta, quarenta, cinqüenta, etc. Assim sendo, acredito que em vista desse ciclo interminável, antes do zero a matemática devia ser algo bem mais chato do que hoje é, se é que isso é possível. Como a matemática é a ciência mãe de toda a evolução, é certo que se tivessem descoberto o zero logo de cara, seriamos hoje, uma espécie bem mais evoluída. Se não o somos, culpem a falta de perspicácia de alguns de nossos ancestrais que devido ao fato de terem tudo sempre a mão, esqueceram por assim dizer de definir o nada que não lhes fazia falta.

Não é só na matemática que o nada faz falta. Se pensarmos biologicamente, o dormir, que vamos colocar aqui como sendo o ato de se fazer nada, faz uma falta danada. Dizem que sem aquela boa noite de sono dormido você engorda e corre o risco de ter várias doenças cardiovasculares (e isso que dá postar tópicos altas horas da madrugada) devido ao stress que a ausência do nada, e consequentemente permanência do todo, provoca em seu organismo. Se formos um pouquinho além e pensarmos em termos químico-filosóficos veremos que é a existência do vazio que permite a existência dos átomos. Não fosse o vazio, literalmente nada poderia ser provado sobre a constituição da matéria e consequentemente da sua constituição, leitor. Já que a existência e a não existência são por assim dizer includentes uma à outra, sem o vazio há uma grande probabilidade de que o cheio existiria e o universo inteiro seria apenas uma interrogação (completamente preenchida, por assim dizer).

Se cientificamente o zero, o nada e o vazio são uma realidade primordial, emocionalmente, para nós seres humanos, eles são uma realidade absurda, mas necessária. Haja vista as terapias de concentração, meditação, esvaziamento da mente e sestas depois do almoço que acreditem, fazem muita falta. Já disseram que a plenitude do tudo só é alcançada se vista do nada. Acredito nisto também. Nada como ficar sem fazer nada durante algum tempo para se poder fazer algo realmente importante depois.

Mas...algo me intriga no nada: o formato. O zero é muito espaçoso. Para um número que quer dizer nada, ele é muito gordo. E isso o torna incoerente. Será que todo vazio é tão espaçoso?... Pensando bem, pessoas vazias são realmente espaçosas. Deve ser por isso!

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