sábado, 15 de dezembro de 2012

Incompetente que é incompetente posta pelo menos uma vez ao ano...

E mais de um ano se passou desde a minha última postagem, em meio a uma greve estadual. E cá estou eu com uma vida totalmente diferente da que levava àquela época. Tanta coisa aconteceu. Entre coisas boas e ruins, acho que foi mais internamente que mudei. Se há 2 anos atrás eu era um cínico masoquista buscando aceitação e suprindo carências com relacionamentos meia boca, hoje, sou bem mais pé no chão, continuo cínico mas parei de me machucar e estou convivendo melhor comigo mesmo, desliguei o Foda-se, e vamos pensar realmente no que posso fazer para melhorar o meu ser, para não incomodar tantos os outros e para sim, me sentir melhor; ah, é claro, com isso estou me sentindo solitário, mas é de fato, a mesma solidão, eu sempre estava cercado de gente, mas nem por isso menos só: chegava no Apê, enchia um copo com whisky e gelo, ia para a varanda, acendia um cigarro e ficava ali esperando que alguém me tirasse da solidão, portanto ela sempre existiu. E tenho minhas dúvidas que deixe de existir. Nesse 1 ano e meio que passou, venci alguns medos, e alguns vícios; levei alguns sustos bons, outros ruins, passei algumas raivas, tive bons momentos; adquiri novos conceitos, amadureci diversos pensamentos. Para você me entender saiba que conforme previa o meu último post eu fui extremista e exonerei do meu cargo estadual. Ontem eu sobe que a publicação de minha exoneração saiu no IOMG do dia 03/12/12, junto com a nomeação desses que vão padecer com o estado do ultimo concurso. Não vou negar que eu esteja magoado com o Estado. Faz um ano que estou afastado e a raiva não cede. E a raiva me move. A raiva me movimenta. E Deus cuida para que eu a direcione no caminho certo. A raiva é tanta que quando eu entro no prédio do Aprendiz (graças a Deus a SRE vai sair de lá), ou passo em frente a ele, eu me sinto mal, angustiado, o coração pesado. Só faltou eu ajoelhar diante da Superintendente e sua cúpula para pedir remoção ou mudança de lotação ou o que fosse que desse para conciliar minhas duas vidas, mas eles, além de darem um chá de cadeira de três horas não se comoveram. Deram e tomaram, falaram e “desfalaram”. E nesse fogo cruzado deixaram 4 turmas sem aulas, muita gente irritada comigo, e eu irritado com muita gente. Mas foi melhor assim. Para me dar força nesta crise Eu x Estado corri atrás de um psiquiatra, afinal, todo mundo dizia para eu me segurar no Estado, que eu não devia jogar meu tempo de serviço fora, e coisa assim. Eu cheguei a pensar realmente que iria ficar louco para tomar essa decisão. E a conversa com meu “Duendezinho” foi tão fácil, tão simples, tão encorajadora: “Faça o que seu coração mandar, você não tem por que ficar agüentando algo que te faz mal. Embora pra frente que lá provavelmente tem o que você está precisando”. Saí dali aliviado. Fui trabalhar na manhã seguinte e lá assinei meu requerimento de exoneração (depois tive que fazer mais dois na SRE, pois parecia que de fato eles não queriam me exonerar). Mas eu falei no psiquiatra, essa figura que encontrei 4 ou 5 vezes este ano, pois ela foi muito importante em uma outra grande decisão que tomei: parar de fumar. De dois em dois meses eu passei a ter uma conversa com meu Sr. Leprechaun , e falei com ele que queria tentar parar com meu vício. Ele me ajudou receitando um remedinho que me deu controle para diminuir, e há cerca de 150 dias atrás, no meu aniversário, eu enfim consegui largar o vício. Sinto vontade quase todo dia, mas é controlável. Não é o fim do mundo como eu sempre achei que fosse. Parando pra pensar tem uma série de coisas que aconteceram que me levaram a isso. Mas o que importa é: estou me sentindo bem, estou melhor de saúde, e sim, estou com um baita orgulho da minha palavra e da minha força de vontade. Palavras tem poder: lembro de ter comentado com uns amigos em um churrasco ano passado que estava feliz por sair daquela cidade, pois ela me proporcionava liberdade demais, e muito pouca responsabilidade. Acho que este pensamento resume a minha transição, e meu sentimento diante daquilo que está acontecendo em minha vida: estou “perdendo” liberdades e ganhando responsabilidades – afinal eu fiz 35, está mais do que na hora de pensar no futuro, e fazer ele acontecer. 2012 foi um ano muito bom para mim – trouxe novos ambientes, novas pessoas, novas empreitadas. Andei em uma montanha russa, e parece que não foi só em julho. O coração ta vago, mas quem sabe ele ainda não se ocupa. Os velhos amigos estão lá, a um toque do telefone, ou a um piscar de olhos nas lembranças que guardei nestes últimos 10 anos. Um vento de planeje e seja feliz está marcando estes últimos dias do ano, onde o sentimento por si só é de vitória. E aos trancos e barrancos vamos seguindo, e quem sabe eu posto em breve outras reflexões...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Luta

Já não sei dizer se ainda sei sentir, o prazer de entrar em uma sala de aula e passar 50 minutos tentando mostrar para meus alunos a importância de saber algo. E eu sempre tive esse prazer. Sempre achei gratificante que um aluno meu depois de conseguir resolver um exercício virasse pra mim e dissesse. – E aí? Aprendi? – O sorriso saía fácil, e sincero. Hoje não é assim. A cada matéria ensinada eu me pergunto: - Pra que? Por que ele precisa aprender isso? Eu sei, eu tô aqui,de que isso me serviu?- A cada dia que passa na sala de aula, eu perco minha motivação. Não sei se é algo natural, que acontece com todo mundo quando vai envelhecendo na carreira, não sei é crise de identidade ou coisa assim, não sei se é contaminação pelo meio que me cerca onde todos só dizem: saia da educação enquanto dá tempo. Mas uma coisa eu sei, meu problema começa com certeza no meu salário. Sempre acreditei em vocação, nem sempre a nossa vocação é aquilo que desejamos, mas é algo nato, que vamos aperfeiçoando no meio do caminho. Desde pequeno sou professor. Quando eu estava na quinta série comecei a dar reforço para meus vizinhos do 3° e do 4°. Durante o Ensino Médio era o líder dos grupos de estudo. Durante a faculdade eu tirava em novembro, dezembro e janeiro cerca de 1500 reais mensais com aulas particulares e trabalhos numa época em que o salário mínimo era 180 ou 200 reais. Aí, aconteceu: eu passei no concurso, preferi entrar no Estado e ter uma quantia certa todo mês do que estar a mercê de aulas que talvez desaparecessem. E de lá para cá a minha chama está se consumindo lentamente, na medida em que meu salário congelou (ele pode até ter sofrido variação de 50 a 200 reais nesses 10 anos, mas isso é irrisório uma vez que o salário mínimo nesse mesmo tempo sofreu reajuste de 250%) e o meu poder aquisitivo caiu. Mesmo com a chama trêmula, ainda tive alegrias nesses dias ruins. Consegui, isto é fato, influenciar e inspirar vários de meus alunos a buscarem conhecimento, serem bons estudantes, passarem em vestibulares, e fiquei muito, mas muito feliz com isso. Em 2007, eu cometi um erro gritante quando passei em um concurso municipal, para professor, e não assumi, achando que pior do que o salário do Estado estava, não podia ficar, crendo que no ano seguinte haveria melhorias certamente. Como eu estava errado. Em 2008 veio a Lei do piso, e eu ganhei o teto de 850 reais do governo Aécio que me roubou biênios, qüinqüênios e pó de giz, e me deixou fazendo contas de a partir de quando eu veria meu salário crescer novamente. As dívidas cresceram, os empréstimos começaram e cada quinto dia útil que ia ao banco era uma revolta interna que se formava. Nesse tempo, tentava no fundo do meu espírito, achar forças na minha crença em meu papel social e humano junto aos alunos para não enlouquecer. Conduzi projetos, sem ganhar nada por isso, me empenhei mais e mais por fazer a diferença, e me vi refletido em vários de meus colegas. E então, em 2010 ela aconteceu, a liderança que eu esperava, o movimento que eu ansiava, e o resultado lamentável: um estúpido subsídio que ninguém queria, mas que fomos obrigados a engolir, e obrigados no sentido de forçado mesmo, goela abaixo. Se ganhei esperança na educação com a greve, perdi esperança na política com a mesma. E maior ainda foi a decepção quando em outubro pude conferir o resultado das urnas. Matutando comigo mesmo eu cheguei a conclusão que o que definiu o resultado político de 2010 chama-se dinheiro, verba, investida maciçamente em mais de 90% dos municípios mineiros para compra de votos. Ora se o que define a política é dinheiro de verba, e não a representatividade do executivo ou legislativo diante da população; por analogia, deveria ser salário e não vocação que deveria definir a minha carreira na educação. Pois bem, com uma sorte de poucos, novamente passei num concurso, agora em outro município. Vacinado, não cometi o mesmo erro e correndo exonerei de um dos meus cargos do Estado. Qual não foi a minha surpresa: se antes eu não tinha piso, acreditem, passei a ter dois pavimentos, muito bem acabados. Mas aí, em vez da alegria, veio a raiva, veio o ódio, a indignação. Cheguei a ouvir de um colega meu na nova Escola que quem é funcionário do Estado paga para trabalhar, e como negar isso quando se faz as contas, quando se coloca tudo no papel. Da raiva veio a força, e estou na luta. A minha luta é minha, é pela minha honra, minha dignidade, é pelo fato de nós últimos 10 anos eu ter me sacrificado e ganhado com isso o que? – dívidas, prêmio por produtividade, e melhor, subsídio – eu odeio palavras que começam com sub, quando escuto lembro de coisa ruim, submundo, subserviência, subnutrição. A minha luta é egoísta, eu luto nas minhas condições, com a minha força, e com o meu limite. Não vou aceitar nada além do que o justo, o que está na lei federal, o que já deveria estar recebendo desde início de 2010. Já fiz meu sacrifício, troquei meus alunos do EM por alunos do EF, troquei a minha matéria predileta, por outra que domino da mesma forma. Sacrifício por sacrifício estou disposto a fazer mais um, o final, o completo. Não serei escravo do Sr. Anastasia, nem de sua corja, e não compactuarei com mentiras, ou omissões. Pague-se o piso, dentro da carreira, com a proporcionalidade dos dois terços de sala de aula. É isso ou minha exoneração, ou quem sabe licenças e LIP até ver no que dar.

domingo, 11 de abril de 2010

EXPLICANDO A GREVE DA EDUCAÇÃO EM MINAS

Alunos e pais de alunos, peço antecipadamente desculpas pela greve que estamos prestes a fazer mas que se faz necessária devido ao sucateamento que o o Governo do Estado de Minas Gerais, está fazendo com a educação.

O que queremos com a greve? 
Um piso salarial justo, e não o que temos atualmente. Nada mais.

Em 2007/08 o Governo Federal aprovou uma lei pela qual o professor menos graduado de qualquer região do País deveria estar recebendo até Janeiro de 2010 por uma jornada de 40 horas 1322 reais.

Logo em seguida a publicação da lei os Estados entraram com um mandado de segurança para o entendimento da mesma no que se refere ao valor de 1322 reais como o conjunto de toda a remuneração do servidor e não o seu piso salarial (que entendemos como sendo o salário base). 

Este mandado de segurança está nas mãos do Supremo Tribunal Federal e é necessário que ele seja negado a fim de que os servidores em Educação de todo país possam estar recebendo um valor digno pelo seu trabalho.

O que ocorre atualmente em Minas é que todo Professor que tenha menos de 12 anos de carreira em cargo de 18 aulas equivalente a 24 horas semanais, recebe ao final do mês um salário bruto de R$850,00  do qual são descontados o fundo de previdência e de aposentadoria restando líquido pouco mais de 700 reais). 

Ou seja 1 cargo completo de professor do Estado vale menos que 1 salário mínimo e meio. 

E independe da sua graduação. Para tanto o governo do Estado dispõe de duas siglas: PRC e VTI. As duas tem praticamente a mesma serventia - servem para tapar o buraco entre o salário base e o teto estipulado de 850,00

EX: Como PEBIIIA - tendo curso superior em licenciatura eu recebo 504,00 reais no meu primeiro cargo. Tenho 8 anos de estado, o que me dá direito a 4 vantagens de 5% e recebo tb 20% de pó de giz (uma espécie de taxa de salubridade por estar trabalhando diretamente na regência) isso equivale a cerca de 200 reais. Faltam portanto 146 reais para atingir o teto que me são dados na forma de VTI e PRC. Quando eu completar tempo suficiente para uma nova vantagem de 5% a minha VTI cai no valor desse 5% e o meu salário continua congelado neste mesmo teto. Ou seja, as minhas vantagens são invisíveis, pois indiferentes a ela, se eu estivesse começando hoje, estaria recebendo o mesmo valor. 
São necessários 12 anos de serviço, para que a VTI e a PRC desapareçam do salário e se tenha aumento líquido no valor recebido.

A proposta de reajuste do Governo Aécio foi de 10% e transformar este teto de 850 reais em 935 reais.

Lembramos que o novo salário mínimo já está em vigor desde janeiro e que nós servidores só teremos direito a este aumento em Junho (pagamento referente a Maio). Na proposta de reajuste diferenciado do Governo Aécio Neves, a polícia recebeu 15% de reajuste e outros setores receberão o pagamento em Junho do retroativo a Janeiro. Nós não teremos este direito.

Mas de qualquer forma, não são os reajustes que nos interessam. O que nos interessa é o piso salarial, ou o salário base. O que nos interessa são os direitos que já temos adquiridos e que devido a VTI e PRC não estão sendo rspeitados.

Com a greve por tempo indeterminado esperamos estar recebendo ainda este ano os 935 reais que o governo nos deve devido a lei Federal (antes de ter sido deturpada pelos Estados) como o salário base de nível I - Professor com Magistério. Não queremos mais os empréstimos da VTI e da PRC, se temos direito a vantagens por tempo de serviço nós queremos ver essas vantagens.

Para tanto o STF deve julgar o mandado de Segurança antes de 06/07/2010. 

A greve é a única forma de nós professores e servidores em educação fazermos pressão para que se pare e se faça algo por essa área. Ainda temos bons professores, que precisam ser valorizados, ou abandonarão a carreira deixando na Escola apenas aqueles que vêem a Educação como uma opção de emprego e não como profissão. Se isso acontecer o que já está ruim tende a ser muito pior.

Peço apoio a vcs na nossa luta, não cruzaremos os braços e ficaremos em casa neste período. 
Iremos pra rua mostraremos nossa indignação com as mentiras que o Governo vem falando a respeito  da Educação - e são muitas, salário é só uma delas. 

O Estado pensa em nós como números, não como pessoas que precisam ser valorizadas para produzir. Por isso a greve. Queremos mostrar a máquina pública, o número de escolas paradas, o número de profissionais em greve, o número de alunos sem aula a fim de nós fazer ouvir.

Não adianta falar de nossa insatisfação sem esses números, pois número é a linguagem política, a linguagem da máquina pública.

Professor valorizado é o caminho para educação de qualidade, e é tentando resgatar esta idéia que eu espero estar oficialmente comunicando a vcs nesta terça-feira que estamos em greve.

Até lá, peço apóio para que prossigamos na luta.

domingo, 29 de julho de 2007

Falando de Nada

Outro dia li um texto sobre a importância do zero na matemática. Muita gente não sabe, mas a ausência da representação de um vazio nesta ciência foi um verdadeiro empecilho para o desenvolvimento da mesma em seus primórdios. Imagine a dificuldade para contar algo sem o zero: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e volta no 1, já que sem o zero não é possível escrever o dez, e inimaginável por assim dizer escrever o vinte, o trinta, quarenta, cinqüenta, etc. Assim sendo, acredito que em vista desse ciclo interminável, antes do zero a matemática devia ser algo bem mais chato do que hoje é, se é que isso é possível. Como a matemática é a ciência mãe de toda a evolução, é certo que se tivessem descoberto o zero logo de cara, seriamos hoje, uma espécie bem mais evoluída. Se não o somos, culpem a falta de perspicácia de alguns de nossos ancestrais que devido ao fato de terem tudo sempre a mão, esqueceram por assim dizer de definir o nada que não lhes fazia falta.

Não é só na matemática que o nada faz falta. Se pensarmos biologicamente, o dormir, que vamos colocar aqui como sendo o ato de se fazer nada, faz uma falta danada. Dizem que sem aquela boa noite de sono dormido você engorda e corre o risco de ter várias doenças cardiovasculares (e isso que dá postar tópicos altas horas da madrugada) devido ao stress que a ausência do nada, e consequentemente permanência do todo, provoca em seu organismo. Se formos um pouquinho além e pensarmos em termos químico-filosóficos veremos que é a existência do vazio que permite a existência dos átomos. Não fosse o vazio, literalmente nada poderia ser provado sobre a constituição da matéria e consequentemente da sua constituição, leitor. Já que a existência e a não existência são por assim dizer includentes uma à outra, sem o vazio há uma grande probabilidade de que o cheio existiria e o universo inteiro seria apenas uma interrogação (completamente preenchida, por assim dizer).

Se cientificamente o zero, o nada e o vazio são uma realidade primordial, emocionalmente, para nós seres humanos, eles são uma realidade absurda, mas necessária. Haja vista as terapias de concentração, meditação, esvaziamento da mente e sestas depois do almoço que acreditem, fazem muita falta. Já disseram que a plenitude do tudo só é alcançada se vista do nada. Acredito nisto também. Nada como ficar sem fazer nada durante algum tempo para se poder fazer algo realmente importante depois.

Mas...algo me intriga no nada: o formato. O zero é muito espaçoso. Para um número que quer dizer nada, ele é muito gordo. E isso o torna incoerente. Será que todo vazio é tão espaçoso?... Pensando bem, pessoas vazias são realmente espaçosas. Deve ser por isso!

terça-feira, 24 de julho de 2007

O Eu do outro lado do espelho


Não é um acontecimento tão raro ou incomum assim. A maioria dos seres humanos deste planeta já passou por isto. O que varia, de pessoa para pessoa, é a freqüência com que isto ocorre, que vai desde uma vez na vida, até uma vez a cada hora; e a intensidade com este instante acontece; além é claro de todos os fatores psíquicos, químicos e sociais que propiciam que o encontro ocorra, os quais por sua vez, variam desde a altas doses de álcool no sangue até graves desilusões amorosas em seu ultimo relacionamento passando é claro pelo comentário infeliz daquele conhecido que esbarrou contigo na rua hoje, dois anos após vocês terem se visto pela última vez: “Nossa você engordou...”

O acontecimento a que me refiro, tende a ocorrer naquele cômodo da casa onde menos se espera se esbarrar com outra pessoa, é claro subtraindo-se da totalidade de pessoas na terra os tarados, sobretudo os gays tarados, já que para os mesmos este ambiente é sempre um local ideal para se encontrar outras pessoas. É evidente que falo do banheiro. 98% dos registros desses encontros relatam que os mesmos ocorreram nestes ditos locais. Os outros 2%, variam bastante, e pairam sobre os mesmos a dúvida cientifica gerada pelo aumento dos fatores de probabilidade que fizeram com que os mesmos ocorressem. Só para citar, há o caso extremamente insólito, da senhora com os seus quarenta anos, que ao voltar sozinha de uma despedida de solteiro, às 4 horas da madrugada se viu obrigada a ficar de quatro numa estrada erma para trocar o pneu furado do seu carro, e ao observar atentamente a calota polida da roda teve o encontro. Outra experiência incompreensível é a do estudante de odontologia que ao tentar tratar de uma carie no molar cariado de um paciente, teve naquele espelhinho peculiar um encontro tão definitivo, que o fez abandonar, de uma vez por toda, as pretensões para aquela profissão. Mas vamos nos concentrar nos casos normais dessa experiência quase comum.

A experiência a ser relatada ocorreu numa manhã de terça feira, pouco depois de nosso personagem fazer 30 anos. Acabara de acordar, e de olhos ainda semicerrados começou a esfregar água no rosto a fim de enviar os fantasmas do pesadelo que tivera para as cucuias. Foi então que o viu, ali diante de si, no que esperava ser o reflexo de seu rosto, de seu tão estimado rosto, aquela figura hedionda, que tinha certeza não era o seu Eu atrás do espelho. A palidez de sua pele, as rugas de preocupação, as espinhas, cravos e pelos encravados, os cabelos desgrenhados e pequenas raízes brancas começando a despontar. Não era ele, tinha certeza. Não disse palavra. Os olhos de um mostravam claramente a raiva recíproca que sentia pelo outro.

Sem dizer palavra, jogou a toalha de rosto sobre o espelho e voltou novamente para cama. Após um encontro desnorteador como esse, dormir é sempre o melhor remédio. È o que disseram terem feito 75% dos pesquisados ao relatarem estes encontros para os cientistas em entrevistas. Constam como segundas opções para o problema: a) esconder a face sob máscaras com camadas grossas de cremes anti-sinais; b) colar no espelho do banheiro um pôster com a sua face naquela foto que você tanto ama; c) mergulhar com vontade num copo de bebida. Adverte-se para o item c, no entanto, a periculosidade de um novo encontro, na superfície refletiva do fundo do copo.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O que importa é dar o primeiro passo.

O que importa é dar o primeiro passo.

Aquele slogan de propaganda de sapatos com certeza era um bom começo de livro. – o recentemente formado jornalista, atualmente desempregado, e por ora escritor sem inspiração, pensou. Com sua imaginação fértil, seu tempo livre, e sua necessidade imensa de dizer para alguém alguma coisa que ele ainda não sabia o que era, o rapaz começou diante da luz acolhedora do seu monitor a imaginar personagens que pudessem surgir daquela frase simples que para ele, sem dúvida, era um ótimo começo de livro.

Imaginou a moça simples, que grávida fora expulsa de casa e agora se via na rua da amargura, sem emprego tendo como única opção para sustentar a si e a criança que levava no ventre, se prostituir. Ela, pensou ele, seria a personagem correta para o dilema gerado pelo primeiro passo, pois antes devido a toda sua criação, acreditava que para aquela moça não era nada fácil tomar essa decisão assim, de uma hora para outra. Por outro lado, continuando o pensamento, concluiu que na situação em que a pobre moça se encontrava, seria necessária muito pouca reflexão moral, e muito mais oportunidades de se prostituir do que aquele início impactante, beirando ao filosófico, sugeria. Tentou então, transferir o slogan para poucos anos depois da vida da mesma prostituta, no momento decisivo em que a mesma, após anos de exercício da profissão, recebera a proposta de um caminhoneiro para com o mesmo se amasiar e constituir família. Neste momento, constatou nosso autor, é certo que as questões interiores para ela falam mais alto que as oportunidades práticas de sua carreira, no que estaria totalmente correto em começar sua grande obra com aquela frase pragmática. Imaginou a cena da mulher, em seu quarto de bordel, juntando suas coisas na mala, logo após ter discutido a proposta com a sua cafetina. Sentou-se diante da penteadeira, tentando ganhar forças para realmente tomar sua decisão. As rugas que começavam a aparecer, os cabelos começando a branquear foram decisivos para que ela decidisse em abandonar de vez aquela vida, e o nosso autor, de vez aquela idéia, pois num estalo chegou a conclusão que pouco conhecia sobre prostitutas e muito menos ainda, sobre prostitutas ou mulheres de meia idade, logo seria uma improbabilidade tentar escrever sobre tal assunto.

Adveio ao nosso jovem autor, já não tão jovem assim, pois já estava próximo à casa dos trinta, que uma personagem masculina, aumentaria suas chances de escrever com sucesso. Inspirado no cigarro que acabara de acender, imaginou o drogado que sozinho, acabara de se dar conta do mal que fizera a si e as pessoas a quem amava, e decidido, resolvera mudar de vida ingressando numa clínica para tratamento do vício. Visto que drogados raramente chegam à essa decisão sozinho, e que sua experiência com tóxicos era bastante reduzida, o que o fez cair novamente as suas chances de êxito literário, o já não tão entusiasmado autor decidiu trocar a personagem central de sua história, pelo amigo de infância, ou melhor, o irmão mais velho e sábio do jovem drogado que interna-se em uma clínica de recuperação. É certo que para o familiar daquele jovem, a felicidade em saber que ele estava dando o primeiro passo, é certamente importante, mas seria o mais importante? Novamente chegava ao indeciso escritor, a dúvida, aumentada exponencialmente pelas dificuldades que ele observava por ser filho único, ter pouco contato com seus familiares.

Já um tanto desorientado pela escolha infeliz que fizera da frase inicial de seu livro, o frustrado redator decide-se começar a trama com um pouco de humor. A frase em questão seria dita por ninguém mais ninguém menos do que um infeliz acidentado que durante um jogo de futebol, quebrara a perna e ficara seis meses sem andar. Após a primeira sessão de fisioterapia ele chega a conclusão, com auxilio de seu fisioterapeuta de que o que importa é dar o primeiro passo, coisa que ele ainda não deu mas que sem dúvida em breve dará. Mas visto que a inclusão do humor na trama resolve o problema da frase inicial, mas não dissolve o problema da fluência da trama em si, o nosso jovem desempregado, desiste do texto e chega à conclusão que: O difícil é dar o primeiro passo.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Atrasado

Incompetente que é incompetente tem que postar atrasado.
Esta mensagem inicial devia ter sido feita ontem, mas como deu preguiça, está saindo só hoje.
Para quem não me conhece, devo explicar a causa deste blog, o terceiro em minha vida(tive anteriormente um de humor, e um de cinema, talvez um dia os ressucite): o negócio é o seguinte, gostei tanto de escrever meu perfil no orkut, que decidi implementá-lo na forma de um blog. Culpa do google que me deu a chance, assim quem quiser conhecer mais profundamente as minhas nuances de humor, vai poder acompanhá-las aqui em primeira mão.
Para começar eu acho que devo comentar o meu aniversário dos 30.
Quem sabe amanhã...
Incompetente que é incompetente....